Ela chegou cá a casa pequenina, pequenina. Estava muito nervosa e parecia uma louca a cheirar tudo e todo o lado da casa. Fugia de nós, andava em modo caça e escondida. Espreitava, farejava, as orelhas sempre de um lado para o outro. Na primeira noite, enrolá-mo-la numa manta e deitá-mo-la numa caminha que tínhamos comprado de propósito para ela. Colocámos-lhe um relógio a fazer tic tac, dizem que se parecem ao bater do coração das mães gatas.
Ele estava mal, coitadinho. Era do tamanho de uma mão e tinham-lhe cortado a cauda, ainda estava em ferida. Gente malvada...Estava a tremer com o frio da noite de Sevilha. Estava magrinho, magrinho...mas tinha uns olhos lindos e olhou para mim quando me cheguei ao pé dele. Peguei nele, não o consegui deixar mais...era tão frágil...a veterinária confirmou: " Un día más en la calle y no iba a aguantar...". Primeiro foi Xena, a veterinária disse: "No estoy segura pero si que me parece una hembra." e depois porque desde o primeiro momento se mostrou com muita força de viver. Na primeira noite que passou comigo, também o enrolei numa manta e abracei-o deitada no sofá. Quando olhei, estava a olhar para mim e suspirou...afinal era um gato e sabe que o salvei.
Quando os apresentámos cá em casa e quando voltei de Sevilha, a gata como boa fêmea, fez-se difícil. Soprou, deu-lhe patadas, fez FUUUuuuuu....e fugia dele. Ele só quería brincar com ela. Andava sempre(!) a meter-se com ela, tentava dormir ao pé dela...ela foi cedendo e chegou uma altura em que já não passava sem ele. Via-se o nervosa que ficava(fica) quando ele vai às escadas e não aparece. Lambe-o, lava-lhe as orelhas, as patitas. Ele o mesmo.
São inseparáveis e são os nossos gatos. São meiguinhos entre eles e connosco. E estou convencida que isto é amor.


